O modelo ioiô de se manter um blog #nãofaçaissoemcasa

Era uma vez uma garota que queria escrever. Desde pequena, tudo o que ela queria era ser uma boa escritora, era que suas histórias e suas ideias viajassem o mundo, espalhando assim, pedaços dela por toda parte.

Como a vida real vai se impondo e a garota foi crescendo, os sonhos vão de adaptando ao turbilhão de coisa que acontecem, o sonho de escrever foi ficando pra trás.

Essa é a minha história.

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Muita coisa foi acontecendo e eu parei de escrever. Pode ser que a auto-crítica tenha me matado. Pode ser que eu esteja usando o tal ‘turbilhão de coisas’ como a boa e velha muleta, pra me justificar por ter deixado de lado uma coisa tão importante pra mim. Pode ser que eu tenha ficado paralisada de medo da opinião pública sobre meus escritos, petrificada de pavor de que as pessoas não gostem do que eu esteja escrevendo.

O fato é: remoer essa história toda não me levaria a lugar nenhum. O que fazer então, depois de tanto tempo sem escrever? Um blog! Como eu não tinha pensado nisso antes? Na mesma hora eu criei um blog, e comecei a escrever de qualquer jeito, sobre um monte de assuntos desconexos.

E na mesma hora, os gurus da internet: você precisa monetizar seu blog; você precisa profissionalizar; você precisa de um nicho; você não pode sair do nicho; você precisa escrever desse jeito; você precisa usar essas palavras chaves; você precisa disso, daquilo, daquele outro; blablabla.

Lógico que eu queria fazer tudo conforme o figurino. Eu queria agradar todo mundo, eu queria caber! Aconteceu o que? Enjoei dos assuntos, enjoei desse jeito mecânico de escrever, dessa cara óbvia, desse lugar comum, do que o meu espaço virou. E eu acabei parando. Fui arrumando desculpas, me escondendo atrás de compromissos, encontrando milhões de historinhas pra não escrever mais.

E assim, o blog ficou esse tempão sem post. Por causa disso. Porque eu fui tentar agradar todo mundo, que nem o template do blog tinha as cores e a fonte que eu queria. E eu não encontrava motivação pra continuar.

Mas, aqui estou novamente. Numa milésima tentativa de seguir com o blog, de organizar as ideias, e escrever de novo. Dessa vez, sem nicho, sem popularidade, sem forçar a barra. Com carinho, com simplicidade.

“Você é mais bonita que uma bola prateada
de papel de cigarro
Você é mais bonita que uma poça dágua
límpida
num lugar escondido
Você é mais bonita que uma zebra
que um filhote de onça
que um Boeing 707 em pleno ar
Você é mais bonita que um jardim florido
em frente ao mar em Ipanema
Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás
de noite
mais bonita que Ursula Andress
que o Palácio da Alvorada
mais bonita que a alvorada
que o mar azul-safira
da República Dominicana 

Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita
quanto a Revolução Cubana”

– FERREIRA GULLAR

Espero que vocês gostem, assim mesmo. E se não gostarem, se sintam livres para comentar e me dizer: ‘olha, tá uma bosta, faz de novo’. As críticas são sempre bem-vindas.

BEIJO

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