a fogueira krysten ritter bad rain blog

A Fogueira – Krysten Ritter | RESENHA

Quando fiquei sabendo, através do canal da Ju Cirqueira, que A Fogueira – publicado pela editora Fábrica 321 (um selo da Rocco) – era escrito pela Krysten Ritter, que é a Jessica Jones do seriado da Netflix, eu fiquei com muita vontade de ler. Primeiro porque eu acho o posicionamento dela acerca de protagonistas femininas é muito parecido com o que eu penso – já falo mais sobre isso. Segundo porque eu curto muito os papéis junkies que ela faz na TV e achava que seria bom ter uma protagonista que não fosse impecável.

E é exatamente isso que nossa personagem principal Abby Williams nos mostra. Uma anti-heroína. Totalmente junkie. Beberrona, despreocupada com a aparência, sempre de ressaca, dormindo com quem quer na hora que quer, sem aquele apego em ser perfeitinha e intocável. Quando era criança, Abby era a melhor amiga de Kaycee Mitchell. Mas elas se tornaram muito diferentes, Kaycee se tornou a cheerleader bonitona e super popular e Abby a esquisitona que sofria bullying.

A Fogueira

Ao terminar o colegial, Abby se muda pra Chicago pra ter uma vida nova e Kaycee foge de casa e desaparece, depois de um escândalo no colégio sobre uma doença estranha. 10 anos depois, ainda perturbada pelo desaparecimento da ex-amiga, e assombrada pelo seu passado difícil com seu pai – um fanático religioso -, Abby volta ao Barrens, a cidadezinha onde cresceu, formada em Direito para investigar a maior empresa do lugar, que supostamente estaria contaminando a água da região.

Abby sofre de transtorno de ansiedade, que evolui para um transtorno obsessivo-compulsivo não muito preocupante, e não sabe lidar muito bem com a pressão de estar revendo todos os lugares da sua infância, com seu pai doente, com os crushes juvenis, e com o fato de todos na cidade serem fãs de carteirinha da Optimal Plastics – a empresa que salvou a cidade. E acaba misturando seu passado com a vontade de encontrar Kaycee e resolver o caso sobre seu desaparecimento, com o desejo de salvar todas as garotas mais novas de passarem o que ela passou, com a necessidade de encontrar algum culpado, e alguma redenção pra si mesma com doses consideráveis de álcool e sexo casual.

O céu está naquela fase intermediária, o dia e a noite lançando um tumulto confuso de azuis, rosa e laranja com a trilha sonora do canto dos grilos. A esta hora, Barrens fica linda: os campos são envoltos em neblina. É assim que a beleza funciona em Barrens: ela desliza até você quando menos espera.

Krysten Ritter

Como eu disse anteriormente, eu gostei bastante da trama. O plot fica muito interessante, e inesperado. Chega até a dar um friozinho na barriga com a tensão do meio pro final. A Krysten tem um jeito bem gostoso de escrever, bem poético e profundo, muitas vezes com desprezo e aquele ‘whatever’ que é bem típico das duas personagens mais icônicas que ela própria desenvolve na TV – tanto em Jessica Jones quanto em Breaking Bad.

Porém, eu não achei bem escrito. O desenvolvimento da trama é meio forçado, a solução da conspiração é totalmente delirante e os fatos e os desenrolos não são factíveis no nível em que foram explorados. Eu gostaria de ver mais vida real na história da Abby, gostaria que ela fosse mais independente tanto emocionalmente quanto socialmente.

Para uma autora que tem uma produtora a fim de promover protagonistas femininas fortes, ter sempre um homem pra defender ou validar os comportamentos da Abby é bem contraditório e eu me senti meio traída – especialmente no final. Entendo que Abby tenha sido abusada e humilhada pelas garotas da escola e de seu grupo, mas todos os personagens que rodeiam a vida de Abby adulta são homens, e ela busca sua aprovação e consentimento e ajuda o tempo todo. Isso é meio irritante, principalmente quando a gente espera uma mulher chutadora de bundas.

Pode ser que o problema seja meu, e eu não tenha sabido como gerenciar minhas expectativas. Pode ser que eu tivesse esperando uma Jessica Jones nas páginas de A Fogueira. O fato é que não gostei muito. Achei previsível e não muito factível, achei que ela mirou num alvo promissor mas não conseguiu entregar. Além disso, achei o tema meio requentado.

Título: A Fogueira
Autor: Krysten Ritter
Ano: 2017
Páginas: 288 páginas
Editora: Fábrica 321
Meta: 8/70

Nota3_estrelas_badrain a fogueira krysten ritter

Onde Comprar

Já ouviu falar desse livro? Curte Jessica Jones? Conta pra mim sua opinião. Isso é muito importante pra mim.

Não se esqueça de participar do sorteio bacanudo do livro It: A Coisa, do Stephen King, publicado pela Editora Suma. Dá pra participar até dia 05/03 e está muito fácil de levar!

Beijo <3 Até a próxima.

 

comments

Conta pra mim o que você achou: