Anexos – Rainbow Rowell #resenha

Título: Anexos
Autor: Rainbow Rowell
Ano da edição: 2014
Ano de publicação: 2011
Páginas: 368
Editora: Novo Século

“Amor. Propósito. Essas eram coisas para as quais não se podia planejar. Essas eram coisas que simplesmente aconteciam. E se não acontecessem? Você passava a vida toda ansiando por elas? Esperando para ser feliz?”

Lincoln é um cara tímido, quase 30 anos, que fez várias faculdades e especializações, mas ainda não sabe o que quer fazer da vida, não sabe lidar direito com seres do sexo oposto e arrumou o melhor emprego que podia esperar: analista de T.I. no jornal de maior circulação da cidade, em plenas vésperas do bug do milênio.

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Basicamente, seu trabalho consistia em supervisionar os estagiários programadores a fim de que o sistema do jornal não se auto explodisse rs quando chegasse a virada do milênio 01/01/2000 – se lembram que rolou um pânico generalizado de que haveria uma revolta das máquinas e todos os sistemas iriam parar de funcionar ou explodir? obviamente mais um hoax, não deu em nada HaHaHa, instalar e reparar impressoras rebeladas quem nunca? e monitorar a pasta de ‘sinais vermelhos’ do e-mail corporativo.

Que isso? Espionagem? Mais ou menos isso. O sistema de e-mail corporativo do jornal era configurado para dar o alerta se algumas palavras-chaves fossem enviadas, como sexo, pornografia, filho da puta, menstruação, enfim, esse tipo de termo fiquem espertos porque o e-mail corporativo da sua empresa provavelmente também faz isso, ok?. O e-mail em questão era enviado para a pasta de T.I. e o analista tinha que ler e avaliar se era seguro ou se o emitente deveria ser notificado.

“Se Rick era o Tímido, e Troy era o Esquisito, e Teddy […] podia ser na verdade o Nerd… Então, quem era Lincoln? Todos os adjetivos que vinham à sua mente (perdido, atrofiado, filhinho da mamãe) o deprimiam. Hoje era o bastante ser um deles. Estar em algum lugar onde sempre tinha um assento reservado para ele na mesa, onde todo mundo já sabia que ele não gostava e azeitonas na pizza e sempre pareciam felizes em vê-lo.”

Foi quando Lincoln acabou conhecendo Jennifer e Beth. Ambas trabalhavam no jornal e eram melhores amigas. E como eu e você todo dia nem vem dizer que não, elas trocavam e-mails pessoais usando a conta corporativa, sem medo de serem vigiadas.

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Beth Fremont é crítica de cinema, e escreve a coluna de entretenimento semanal. É descontraída, divertida, inteligente, sonha em se casar e namora um rockstar sem emprego fixo, daquele tipinho encostado, que mora com ela e aceita que ela pague o aluguel todo mês mas tem pavor só de ouvir a palavra ‘casamento’. Jennifer Scribner-Snyder é revisora de matérias, casada, ex-gordinha, que tem pânico de ficar grávida, mas está tentando engravidar para salvar seu casamento com um carinha super legal, super apaixonado, que você sonha em encontrar na faculdade.

“Críticos são parasitas. Eles vivem da criatividade dos outros. Não trazem nada para este mundo. Eles são como mulheres que roubam os bebês de outras pessoas nos estacionamentos de mercados. Aqueles que não podem fazer, ensinam, e os que não podem ensinar, criticam.”

A história se desenvolve em torno de:

  • O dilema de Lincoln em notificar ou não Beth e Jennifer, sendo que as conversas delas eram sempre inofensivas para a política de segurança da informação da empresa – se ele notificasse, ele perderia o contato com elas; se não notificasse, estaria deliberadamente invadindo um limite muito rígido de privacidade.
  • O relacionamento fracassado e nada saudável entre Beth e Chris – se conheceram na escola, se apaixonaram imediatamente e desde então, Beth aguenta desaforos dos amigos drogadinhos de banda, aguenta noites e mais noites sozinha porque Chris estava em algum show, aguenta o comportamento abusivo e ligeiramente bipolar dele. Resumindo, um carinho odioso, apesar de lindo.
  • O relacionamento corroído entre Jennifer e seu marido Mitch – que sempre é o amigão de todos, boa praça, sempre fazendo o melhor para Jennifer e para o casal, dedicado, amoroso, apaixonado e que sonha em ter um filho, o que Jennifer rejeita com veemência, mas se vê tentando para salvar o casamento. Vale mesmo a pena?
  • O relacionamento de Lincoln e sua família: sua irmã e sua mãe – em cuja a casa ele voltou a morar depois que saiu da faculdade – que o mima demais, superprotetora e zelosa em excesso, por amor ou insegurança ou medo de ficar sozinha?

“Comida de verdade não faz mal. É todo o resto que está nos matando. As tintas. Os pesticidas. Os conservantes. Margarina […] Se margarina era uma ideia tão boa por que Deus não a havia dado para nós? Por que Ele não prometeu aos israelitas que os levaria para a terra de margarina e mel? Os japoneses não comem margarina. Os escandinavos não comem margarina.”

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Anexos

Eu gostei muito, como era de se esperar. Depois de Quarenta Dias, da Maria Valéria Rezende, e de Desonra, do J. M. Coetzee – dois livros pesados, intensos e muito fortes -, eu precisava MUITO de um descanso para essa minha cabecinha fumegante. Aqueles livros leves e divertidos, que não requerem grande concentração, mas que são uma boa dose de entretenimento – porque ninguém é de ferro, né?

A escrita da Rainbow Rowell está visivelmente mais crua e menos refinada que nos outros livros, o que é de se esperar visto que esse é o primeiro livro publicado por ela nos EUA. Mas ela usa artifícios criativos muito bacanas, que enriquecem muito a leitura – como o fato de só conseguirmos nos conectar com Beth e Jennifer quando o e-mail de uma delas cai na caixa de análise do Lincoln. Do contrário, passamos semanas da história sem saber delas. Muito valioso.

“Há uma brisa que se eleva em meu coração e faz meu cabelo se eriçar. Cada momento parece ter sido feito para mim. Em outubro, sou a estrela do meu próprio filme – ouço a trila sonora na minha cabeça – e tenho fé em meu próprio movimento elevatório. Nasci em fevereiro, mas ganho vida em outubro.”

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Por outro lado, a conexão que ela cria com o personagem do Lincoln é muito intensa. Não conseguimos deixar de torcer por ele – o arquétipo do anti-herói que amamos: tímido, desajeitado, tendo levado um pé na bunda gigante, volta a morar com mãe mas anseia por seu lugar, nerd e crente no amor verdadeiro. E não revelando todos esses detalhes logo de começo, Rainbow nos prende ao livro, fazendo com a gente descubra retalhos da história dele (assim como de Jennifer e Beth também, de maneira magistral e muito orgânica) aos pouquinhos, em doses homeopáticas. E quando a gente nota, faltam apenas 20 páginas para acabar.

A única crítica que eu tenho é sobre o final. CALMA, gente, NÃO VOU DAR SPOILER. Achei o final previsível, bobo e superficial. A impressão que deu é que ela escreveu correndo, sabe? Ou o livro estava ficando muito comprido, ou ela perdeu a paciência e escreveu de qualquer jeito, sei lá. Rolou uma decepção, porque os finais da Rainbow são sempre carinhosos e cuidadosos. Esse, eu não gostei. Não pelo desfecho em si, mas sim por causa da forma com que foi escrito, meio jogado, meio corrido.

De modo geral, eu recomendo. Bem gostosinho, leve, divertido, romântico.

Nota

4-estrelas

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