Bullet Park #resenha

Bem-vindo a Bullet Park, uma cidade em que até os burgueses mais engomadinhos conseguem se assustar com a sua própria imagem no espelho.

Faz tempo que não tem resenha por aqui, né? E nem é porque não tenho lido, já que eu tenho lido freneticamente! Haha É mais porque no trabalho fica difícil tirar boas fotos dos livros, com os detalhes bacanas, e conseguir postar. Mas vamos lá!

Título: Bullet Park
Autor: John Cheever
Páginas: 224
Ano da edição: 2013 – Ano do livro: 1969
Formato: brochura
Editora: Companhia das Letras

Um livro ímpar, não apenas na obra de Cheever, mas entre todas as obras que conheço.

 – Joseph Heller

Bullet Park

Muito comparado com O Grande Gatbsy, John Cheever, que na verdade é famoso por seus incríveis contos, escreve esse romance tratando do fracasso do sonho americano, e das situações e farsas por trás da fachada de família perfeita, e vizinhança perfeita, no subúrbio de Nova York. Recebeu 4,1 estrelas das 5 possíveis no Skoob e 4,6 estrelas das 5 possíveis na Amazon, embora eu mesma tenha achado que só mereceu 3 estrelas das 5 possíveis no Selo Sheppita de Crítica de Livros.

O livro é dividido em 3 partes, a primeira sobre Eliot Nailles (prego em português), a segunda sobre Paul Hammer (martelo, em português) e a terceira, o desfecho das duas histórias. Muito bem escrito, super descritivo e intenso, com alegorias interessantíssimas, que acabam te prendendo à história depois de um tempo, porque o começo é meio lento e meio xarope. O que eu mais detestei foi o spoiler na sinopse. Você não tem nem chance de escolher um lado, porque já sabe que Hammer só está em Bullet Park pra destruir a família de Nailles. Ou seja, antes mesmo de você conseguir conhecer os personagens, já traços de caráter que você já conhece e que manipulam a história antes mesmo dela engrenar mas há quem tenha gostado justamente disso.

A capa é linda, e foi isso que me fez escolher o livro. A ilustração é super correlata com a história, mas você só entende isso depois da metade do livro – ponto pra editora! A edição é em brochura, de tamanho regular, levinho e fácil de carregar e as páginas são amarelas, o que diminui muito o cansaço nos olhos.

Bullet Park

Primeiramente, conhecemos a cidade através dos olhos do narrador, em terceira pessoa, divagando e descrevendo as casas e famílias pelo corretor local, que procura a melhor opção para o forasteiro Paul Hammer se mudar com a sua família. No começo a gente vê a superfície das famílias, a adoração de Nailles por sua mulher Nellie e suas coxas maravilhosas, digna de odes e por seu filho honesto, justo e amigo, Tony. Nailles vai a igreja, tem um trabalho fixo, honesto, não quer nem saber de trair sua mulher, e eles tentam dar o melhor lar possível pra seu Tony.

Conforme a história vai se desenvolvendo, a gente percebe as falhas de caráter de Nailles e Nellie, que não são tão fiéis assim, que bebem demais, que mimaram tanto seu filho único, que acabaram por destruir a personalidade dele também. Quando Tony cai de cama, com uma depressão misteriosa, a família segue indo a festas e dando coquetéis como se nada tivesse acontecendo, dando a desculpa de que o menino estava apenas com mononucleose. E Cheever, indo do passado pro presente, em divagações dos personagens, vai explicando a vida daquela família, e o que foi acontecendo pra chegar naquele ponto crucial da história.

Bullet Park contracapa

Na segunda parte, Paul Hammer conta, em primeira pessoa, a história de sua vida: bastardo, abandonado por uma mãe ligeiramente esquizofrênica, criado por uma avó rica porém muito rígida, sem muito carinho ou atenção. Quando sua avó morre, ele fica sozinho, com montes de dinheiro, e é acometido por uma depressão associada a um alcoolismo nervoso, que o impossibilita a resolver sua própria vida. Nem o ‘amor de sua vida’ nem a tão sonhada casa com paredes amarelas conseguem tirá-lo do buraco. Até que sua mãe (doidinha de pedra, morando no interior da Alemanha) sugere uma possível solução para os seus problemas: encontrar um cara ordinário de Bullet Park e crucificá-lo no altar da igreja.

Por que não? Moleza, né? Super normal! Melhor conselho materno!

Bullet Park capítulo 13

Hammer esbarra com Nailles numa sala de espera cotidiana, e quando Eliot comenta que vive em Bullet Park, a epifania da resolução de uma vida inteira desperdiçada sem propósito ocorre na cabeça de Paul Hammer, e um novo objetivo de vida automaticamente se constrói: matar Nailles e atear fogo em seu corpo no altar de Bullet Park.

Será que vai conseguir? Será que Bullet Park vai ter finalmente uma primeira página no Times? Será que a merda vai se espalhar no ventilador e as pessoas vão perceber a vidinha mesquinha que têm levado? Tony melhora? Nailles morre? Hammer fica louco? Tudo isso no próximo capítulo de Império. Mentira, que isso, tô louca. READ THE BOOK.

Bullet Park sinopse

Dá pra comprar? LOGICO! Ele está em torno de 26 a 36 dilmas. Tem em várias lojas, e com descontinho da semana do consumidor! CORRE!



Resenha Bullet Park

Submarino
Resenha Bullet Park

Americanas
Resenha Bullet Park

Saraiva

recadinhoEsse livrinho eu troquei no Skoob com uma docinha, a Tayane Cristie (que eu recomendo fortemente). Trocamos Bullet Park dela pelo meu Alice no País das Maravilhas, que eu tinha ganhado repetido. Então tivemos a resenha desse livro porque ele é melhor que os outros? Não, senhores. Eu fiquei apenas encantada com o bilhetinho que a Tayane deixou pra mim, dentro do livro. Achei um toque de carinho imenso, e fiquei muito feliz e muito surpresa. É isso que ainda me faz ter fé na humanidade.
Com certeza, a partir disso, em cada livro que eu enviar, vai haver um recadinho carinhoso pro próximo leitor, e assim, a gente espalha um pouquinho de amor pelo mundo.

Vocês já leram esse livro? Curtiram?
Contem pra mim o que acharam.
Beijo <3

comments