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Laranja Mecânica – Anthony Burgees | RESENHA

Esse livro estava mofando na minha meta, até que eu decidi encará-lo como um dos últimos livros de 2017. Qual  não foi minha surpresa com a escrita, a linguagem e o plot desse Laranja Mecânica, super clássico da literatura e dos cinemas!

Eu não conhecia absolutamente nada da história, apenas algumas cenas clássicas: ultraviolência, leite, cueca por cima da calça, e aqueles olhos forçadamente abertos de Alex. Mais nada. Não sabia nem do que Laranja Mecânica se tratava.

No começo, eu senti um pouco de dificuldade com a linguagem, porque Anthony Burgees cria palavras novas para termos conhecidos, numa espécie de gíria adolescente (nadsat) do dialeto da época. Então, o leitor tem duas opções: ou consultar constantemente o glossário no final do livro (eficiente, porém demorado); ou então, deixar a vida te levar, e ir lendo num ritmo contínuo, deixando que o contexto te ensine o que o autor quis dizer (pode não ser a melhor opção para o seu estilo de leitura, mas foi o que eu fiz, e amei o resultado).

“Mas irmãos, eles ficarem roendo a unha do pé para saber a causa da ruindade é que me deixa um bom maltchique (homem) ridente (risonho). Eles não procuram a causa da bondade, por que então ficar cavucando do outro lado? Se as líudes (pessoas) são boas é porque gostam, e eu nunca desmancharia os prazeres deles, e do outro lado a mesma coisa.”

Laranja Mecânica

Alex é um adolescente revoltado e agressivo, em um mundo que já perdeu seus valores há muito tempo. Ele e seus amigos cometem vários delitos diariamente, como roubo e agressão, até que um dia eles matam uma velha. Por esse delito e uma traição, Alex acaba preso. Na prisão, ele e seus colegas de cela matam outro detento, e Alex acaba sendo selecionado para fazer um tratamento psiquiátrico invasivo, de maneira a acabar de vez com seus impulsos violentos.

O que me surpreendeu muito no começo, foi essa violência escrachada. Gente apanhando, estupros, inclusive de crianças. Eu fiquei nauseada. Mas conforme avança, percebe-se que mesmo o livro sendo em primeira pessoa, não há julgamentos e questionamentos. O leitor não se sente pressionado, como muitas vezes em narrativas em primeira pessoa, a se posicionar a favor do narrador, ou como seu cúmplice.

O dialeto inventado em A Laranja Mecânica é meio complicado no início, mas uma vez que se acostuma com o ritmo, pode-se perceber a genialidade por trás disso. Eu sempre admirei muito quem cria uma nova linguagem. Tem umas semanas que já terminei essa leitura, mas ainda estou impregnada dela, de suas gírias, da crueza da narrativa, do estado de podridão em que o mundo atingiu.

Anthony Burgess

E o mais incrível é a reflexão que o autor propõe nesse Laranja Mecânica: sobre o bem e o mal; até onde o Estado pode intervir em suas decisões, e se fazer o bem de maneira obrigada deveria contar como ‘bem’. Tem até um padre (ou pastor, enfim, uma figura religiosa) que levanta esse questionamento muito pertinente. Além disso, há várias passagens muito profundas sobre a ética política em se expor um adolescente vítima de barbaridades manicomiais.

E o tempo todo ficam nossos próprios questionamentos. Quem poderia educar esses jovens? Quem poderia conseguir educar esses jovens? De que maneira isso seria eficiente? Até onde o Estado deveria intervir para ‘salva-los’ da ‘ruindade’? Remover esses jovens do crime de maneira não-consentida seria aceitável, a fim de reabilita-los e ao mesmo tempo conseguir uma diminuição na criminalidade?

Eu mesma não saberia responder a todas essas perguntas, e acredito que o ponto do autor nem é esse. O objetivo principal de Laranja Mecânica é promover essa reflexão, levantar esses debates tão pertinentes e atuais.

Eu recomendo muito. Me surpreendeu muito positivamente.

O único problema que enfrentei é sobre o tempo muito longo que acabei demorando para conseguir terminar, por causa da linguagem, e por eu não ter disponíveis condições ambientais mais satisfatórias para conseguir saborear e me concentrar adequadamente. Mas já coloco na lista de releituras, com certeza.

“Mas o não-ser não pode aceitar o mal, quer dizer, os do governo, os juizes e os colégios não podem permitir o mal porque não podem permitir a individualidade. E não é a nossa História moderna, meus irmãos, a história de bravas individualidades malenques lutando contra essas máquinas enormes?”

Nota

laranja mecanica 4 estrelas

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Agora a missão é assistir ao filme e comparar os dois. Vocês já leram? Conhecem essa história? Se sim, preferem o livro ou o filme? Conta pra gente o que você acha, se você quer ver mais resenhas de clássicos cult por aqui. Sua opinião é a coisa mais importante pra nós.

Beijos <3 Até a próxima!

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