O Evangelho Segundo Jesus Cristo – José Saramago #resenha

Título: O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Autor: José Saramago

352 páginas

Editora: Companhia das Letras

Demorei quase duas semanas pra conseguir escrever essa resenha porque tô ruminando o impacto da escrita de Saramago e tentando lidar com o rumo que ele deu pra história, ao mesmo tempo em que medito a melhor forma de contar isso pra vocês.

A história é a que conhecemos: a vida e a morte de Jesus e as circunstâncias que o rodeiam. Não é à toa que esse livro foi censurado e proibido, e que cause tanta polêmica! Jesus é homem de carne e osso, que foi gerado por Deus para expandir seus domínios.

E numa sociedade religiosa e conservadora como a nossa, essas ideias não são nem nunca foram bem aceitas.

O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Saramago conta essa história com uma maestria que enche de lágrimas os olhos. A escrita tão fluida, tão ácida e ligeiramente transforma uma narrativa tão conhecida. Jesus é meio egoísta, meio covarde e medroso. Maria Madalena é uma companheira valorosa e carinhosa. Deus é muito tirano e sem paciência. O Diabo, por sua vez, é um cara soturno e misterioso, mas muito gente boa.

E Saramago dá um tom diferente pra história, pras motivações dos personagens. A sucessão de fatos é a que conhecemos mas com uma roupa totalmente diferente, sob uma ótica muito mais humana e plausível.

Se fosse escrita por outro autor, com outra narrativa, pareceria uma paródia. Mas esse tal de Saramago consegue fazer com que fique tudo tão palatável e divertido e verossímil que parece mesmo que ele estava lá!

Eu amei o livro e a narrativa, amei a ideia central da coisa – que é humanizar o personagem, e tornar o mito gente como a gente – amei o alívio cômico e a complexidade dos carácteres. A nota é sempre máxima!

Porém, eu tive muita dificuldade pra me conectar com o livro em si. Eu li muito devagar e procrastinei demais, honestamente, nem sei porque já que quando largava o livro, minha mente ficava cheia com a trama. Mas demorei quase 3 semanas pra terminar.

É sensacional, é! Com certeza. Mas não dá aquela sensação de desorientação é aquela ressaca pós O Ensaio sobre a Cegueira, por exemplo.

Nota

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