O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro #resenha

Título: O Gigante Enterrado
Autor: Kazuo Ishiguro
Ano da edição: 2015
Ano de publicação: 2015
Páginas: 396
Editora: Companhia das Letras

É muito esquisito mesmo como o mundo está esquecendo das pessoas e de coisas que aconteceram ontem ou anteontem. É como se uma doença tivesse contagiado a todos nós.

Axl e Beatrice são um casal de idosos e vivem em um pequeno povoado de origem bretã, mas são tratados com descaso e escárnio por causa de sua idade avançada. Então, decidem partir em busca de seu filho, que supostamente vive em uma aldeia próxima. Em uma Inglaterra devastada pelas guerras entre bretões e saxões, e destroçada por saques e batalhas, ninguém se lembra de nada do passado, nem as coisas boas nem as ruins. Parece uma doença silenciosa que ataca a todos sorrateiramente.

Esse fenômeno de esquecimento, chamado por eles de ‘névoa‘ tem que ter uma explicação e uma solução, afinal, não podem continuar assim, sem se lembrar de nada. Tem que haver uma saída! Ao sairem em busca do filho, Axl e Beatrice também saem em busca de uma forma de explicar e anular os efeitos dessa névoa. Porém o amor que nutrem um pelo outro ficará em xeque – será que o sentimento deles é forte o suficiente para que permaneçam juntos mesmo em frente às adversidades?

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Durante a viagem, acabam se encontrando com vários personagens interessantes e complexos, que vem a acrescentar muito valor para a jornada deles e para a nossa, como Winstan – o guerreiro saxão bravo e destemido, que pode ser a solução para o problema dessa névoa que rouba as memórias; e Edwin – um jovem saxão amaldiçoado por uma mordida de dragão mas que tem grande potencial para se tornar um guerreiro; e também Sir Gawain – um verdadeiro cavaleiro da Távola Redonda, que lutou nos exércitos do próprio Rei Arthur, que pode ajudar a elucidar muitos mistérios dessa história.

Se as nossas lembranças voltarem e, entre elas, a de momentos em que te desapontei, ou de atos condenáveis que eu um dia possa ter cometido e que a façam olhar para mim e não enxergar mais o homem que você está vendo agora, me prometa uma coisa pelo menos: prometa, princesa, que não vai esquecer o que sente por mim no fundo do seu coração neste momento. Pois de que adianta uma lembrança voltar da névoa se for para apagar outra? Você me promete isso, princesa? Promete que vai guardar para sempre no seu coração o que está sentindo por mim agora, não importa o que você veja quando a névoa passar?

Esse foi um livro que eu relutei um pouco para resenhar. Embora a programação para lê-lo fosse mais à frente, eu adiantei devido à intensa falação acerca dele no universo booktube. O Victor, Geek Freak não curtiu e abandonou, e por causa disso, a polícia da internet saiu em seu encalço para julgá-lo e condená-lo, porque aparentemente todo mundo tem que gostar das mesmas coisas, e se você não gosta, meu chapa, você está lascado!

Só que eu não aguento uma boa polêmica. E se a internet inteira está falando sobre esse livro, ou ele teve uma boa estratégia de marketing, ou o ele realmente tem alguma coisa de diferente, alguma coisa interessante. A curiosidade falou mais alto e eu passei na frente de tudo o que eu tinha pra ler. Como disse anteriormente, relutei bastante até decidir resenhá-lo porque já tem MUITA resenha sobre ele na internet. Será que eu conseguiria escrever algo diferente e único? Bem, vamos ver.

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O Gigante Enterrado

Acontece que eu realmente gostei muito. Muito mesmo. Já nas primeiras páginas a história de Axl e Beatrice me comoveu, e me tocou demais. Eu não resisto a um casal de velhinhos, sou muito molenga mesmo. Chorei várias vezes, com as dificuldades que eles encontravam pelo caminho, com o dilema de querer ou não se lembrar das coisas ruins que haviam vivido juntos, com o tipo de proteção romântica que o Axl usava com Beatrice chamando sempre de ‘princesa‘. Ah, gente, eu sou muito mole! HAHAHA

Quando aparece o dragão – uma dragoa, na verdade – eu penso: poxa vida, vai estragar a história, não cabe um dragão aí não, sai dragão. Mas eu caio do cavalo! A dragoa, a participação dela na história, a justificativa pra que ela esteja ali é FODA desculpa o palavrão.

A alegoria que Kazuo escolheu para tratar sobre temas como a memória e a morte foram muito felizes. Ele escreve uma fantasia muito bem elaborada, com trolls e dragões e guerreiros e bruxas e monges e conspirações pra te perguntar uma coisa simples: se ninguém se lembrasse claramente de nada sobre o passado, e fosse oferecida a você a chance de lembrar de tudo, coisas boas e coisas ruins, você aceitaria?

A complexidade dos personagens, construída parágrafo a parágrafo, paulatinamente, é apenas incrível! Num livro como esse, fantástico, espera-se que o autor entregue logo os personagens para que você se posicione, mas Kazuo não faz isso. Duas páginas antes do final ainda estamos aprendendo sobre o plot e conhecendo um pouco melhor os personagens A SHEPPITA CHEGA A TREMER.

Até o final – que não foi como eu gostaria – eu achei magistral e se pudesse mudar, não mudaria. Terminou do jeito que precisava. Deixou um tanto de ponta solta pra você ajustar os desfechos conforme  sua experiência de vida e sua posição no mundo. Mas não de um jeito relapso ou prepotente, sugerindo uma continuação.  Apenas respeitando que para cada pessoa, a resolução representa uma coisa diferente. Achei perfeito, achei maravilhoso, achei genial.

Tô pagando muito pau mesmo! Eu curti demais. E me surpreendeu muito positivamente porque eu não esperava uma história tão doce e tão profunda. Pensei que seria apenas mais uma fantasia que cria uma legião de fãs. Mas é muito mais que isso.

Nota

5-estrelas

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E vocês, já leu? Se sim, curtiu? Está na sua lista? Como você se posiciona acerca das suas memórias? Você aceitaria esquecer até das coisas boas, para apagar as ruins? Ou você preferiria se lembrar de cada memória dolorosa e sofrida, para poder continuar com as boas? Decisão difícil, essa! Se você já resenhou esse livro, deixa o link aqui para eu ler. E me conta a sua opinião sobre esse assunto, isso é muito importante pra mim!

Beijo! <3 Até a próxima!

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