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Persépolis – Marjane Satrapi | RESENHA

Hoje eu vim conversar com vocês sobre o lindíssimo Persépolis, da Marjane Satrapi. Fazia um tempão que eu estava namorando esse livro, mas nunca achava um preço bom – porque ele é caríssimo. Consegui uma promoção amiga na Amazon, e comprei. Assim que chegou eu já fiquei ansiosa pra ler e passei na frente da minha meta (quem nunca?). Serviu pro meu projeto pessoal, de ler uma autorA por mês esse ano de 2017. E serviu também para o nosso Projeto Lendo o Mundo, visto que a autora é do Irã.

Marjane é uma mocinha de apenas 10 anos quando vivencia a Revolução Islâmica, em 1979. Filha única de uma família bastante liberal, ela se vê obrigada a usar o hijab – o véu islâmico – em uma sala de aula só para garotas. Quando as coisas em seu país vão ficando difíceis e a guerra assola as cidades, Marjane adolescente vai pra Áustria. Passa uns anos morando por lá, sozinha, com famílias desconhecidas. Tenta se adaptar à vida ocidental e liberal. Se envolve com boy lixo, com drogas. Se perde de si mesma e de seus próprios valores.

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Persépolis

No começo, Marjane dá um background de ambientação nos conflitos no Oriente Médio que levaram àquele momento. Eu achei genial porque infelizmente (shame on me) eu não conhecia muito bem os conflitos daquela região, nem as motivações nem os desfechos. E fazendo isso de maneira irreverente, não fica chatinho tipo aula de história. É bem provável que com a ‘didática’ de ilustração de Marjane, eu nunca mais me esqueça. Gandalf também curtiu.

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“Depois que as pessoas se acostumavam, embora as mulheres andassem cobertas da cabeça aos pés, dava para imaginar como elas eram feitas, como se penteavam e até sua opinião política. Claro que, quanto mais uma mulher se mostrava, mais ela era progressista e moderna.”

 

Há um enfoque bem grande nas questões repressivas, de cultura e machismo da época. Marjane, criada em ambiente crítico e liberal, tem muita dificuldade de se adaptar a esse conservadorismo, e de acompanhar a mentalidade da época. Não se encaixa. Porém, quando vive na Europa tampouco se encontra, sendo a árabe entre as europeias, sem lar. Quando volta pra sua terra natal, também não se encaixa, tendo vivido tanto tempo fora. Persépolis é visivelmente o jeito que Satrapi encontrou de caber em algum lugar.

As ilustrações são belíssimas, cruas, em preto e branco. Não há fineza de traços, nem colorismo, nem profundidade. São desenhos simples, em 2D, sem nada demais. Porém dizem muito. Pra mim, as ilustrações grosseiras e escrachadas de Persépolis conta uma história muito mais visceral que o roteiro em si. Fiquei muito admirada.

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Marjane Satrapi

Eu não fazia ideia do que se tratava. Pelo tamanho do hype, esperava certamente uma história um pouco mais rebelde, mais revolucionária. Creio que seja o mesmo sentimento que tive a respeito do Maus: muito intenso, muito tocante, mas não consegui me envolver com o narrador.

Não ter curtido tanto uma história tão amada e idolatrada por 95% da internet é meio chatinho, porque sempre leva a gente a se questionar: será que eu entendi mesmo? Hahahah Mas enfim, não me senti conectada com a narradora. Principalmente pelo fato de ela ser de uma família abastada e ter podido fugir da guerra. Isso meio que me desconectou dela.

Pra mim, Persépolis era uma história de uma mulher iraniana sobrevivendo em um país muito opressor. E de certa forma, é sobre isso. Mas não da maneira rebelde e resiliente que eu havia imaginado. Persépolis é muito mais sobre uma mulher que fez o possível para se encaixar, para agradar. É sobre uma mulher que cresce aprendendo a se misturar e não se encontra mais. É um livro muito mais filosófico e reflexivo sobre o lugar de Marjane no mundo. E muito menos sobre resistir, se rebelar, sobreviver.

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Título: Persépolis
Autor: Marjane Satrapi
Ano: 2007
Páginas: 352 páginas
Editora: Companhia das Letras

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Nota

tres estrelas bad rain

 

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Beijos <3 Até a próxima!

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