Esquadrão Suicida #drops

  • Duração: 2h25
  • Aventura, Ação, Crime
  • 2016
  • Direção: David Ayer
  • Roteiro: David Ayer
  • Nota IMDb: 6,8/10

Aguardei algumas semanas para vir aqui conversar com vocês sobre esse filme, por dois motivos:

  1. Estava esperando que bastante gente conseguisse ver, para não fazer a palhacinha do spoiler aqui.
  2. Estava tentando digerir o filme, e decidir se a crítica faz justiça a ele.

Obviamente, não obtive êxito no segundo quesito. Mas tô aqui pra gente bater um papo anyway.

Vou alertar! Se você não assistiu e não leu nenhuma resenha-crítica-drops ainda, acho melhor você não continuar lendo essa aqui. Não tem nenhum spoiler grave, mas estragaria a sua experiência, caso você ainda não tenha visto.

spoiler-alert

Vendo tantas críticas negativas de uma legião de fãs do Coringa, eu fiz um trabalho mental poderoso pra chegar no cinema com a expectativa quase zerada. Eu juro! Pra não tomar tombo do cavalo e acabar achando o filme uma porcaria, como aconteceu com Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Funcionou bastante bem, na verdade.

É um filme de ação, com monte de porradeiro, monte de tiro e explosão, efeitos especiais ótimos. Uma trilha sonora maravilhosa, incrível mesmo. O roteiro é bom, honesto – se você não for esmiuçar os problemas técnicos. O casting é bacana também. Se fosse apenas por isso, o filme mereceria bem uma nota 8.

Porém, se você pega nossos vilões de infância e vai fazer um filme com eles, isso nunca vai ser o suficiente. O mínimo que a gente espera é que ele seja honesto. O que Esquadrão Suicida não é, nem se você se esforçar. Não vou entrar no mérito de quem é a culpa, se é do estúdio, se é dos cortes, se é de David Ayer ou se é do contrato do Will Smith que exigiu que ele tivesse pelo menos 2h das 2h25 de tela. Tô dando uma ligeira exagerada aqui, mas o espírito é bem esse.

Você, nerd-geek que está lendo esse singelo drops aqui, responde pra tia Shepps com honestidade: você já conhecia Deadshot antes desse filme? Pode confessar que não, tá tudo bem. Digamos que você seja old school nerd e conheça o cara, conta pra mim: ele é esse coca-cola toda? Sabemos que não. Até o Killer Croc merecia mais tempo de tela por ser um vilão mais ‘famoso‘ – se é que posso dizer assim. Mas o super-astro-holywoodiano Will Smith dominou a tela, e não deixava mais ninguém ser enquadrado. Totalmente brochante.

Sobre a Arlequina, acho que foi feito um excelente trabalho. Margot Robbie é maravilhosa, perfeita pro papel. Acho que ela estudou bastante o personagem, a histeria estava presente, as vozinhas, os trejeitos. Eu achei bastante bom. Exceto pelo fato de ela estar praticamente pelada, e totalmente over-sexualizada. Estamos em pleno 2016, e eu não AGUENTO MAIS ver as mulheres dos filmes servirem apenas para a apreciação masculina. Com a roupa clássica, teria ficado milhões de vezes mais verdadeiro, e mais contextualizado.

esquadrão suicida - bad rain

Os outros personagens fazem apenas uma figuraçãozinha. Nada muito marcante. Diablo faz até um bom papel, se me perguntar, mas extremamente passável. Única outra menção importante seria pra Viola Davis – que é um espetáculo de atriz, de mulher, essa deusa!

O roteiro é uma porcaria, se você for olhar em perspectiva, porque Magia é uma vilã paranormal e mágica. O Esquadrão Suicida foi criado para umas missões mais underground para o governo, tipo desarmar bombas, sequestrar alguém, capturar outro alguém, essas coisas mais cotidianas hihi. Eu não sei se esse grupo seria a melhor tática pra enfrentar Magia – e isso fica óbvio durante o desenrolar da história. Além disso, para passar pela classificação etária, não tem mortes visíveis. Ninguém é baleado, queimado, morto, esfolado. Nadinha. Nenhuma gotinha de sangue. Que porra de Esquadrão Suicida é esse, minha gente? Eu quero ver sangue jorrar! Não tem.

O que eu tenho pra falar sobre o famigerado Coringa: é uma releitura! Eu entendi isso, é uma nova roupagem para o gângster, adaptando-o ao submundo moderno, gerenciando boates e recebendo traficantes. Como recurso narrativo, achei ótimo. Porém, da maneira como foi retratado (não sei se devido aos cortes da Warner ou se foi a intenção deliberada de David Ayer) isso acabou comprometendo um pouco as características intrínsecas do Joker. Explico: um agente do caos, completamente maníaco e histérico não tem condições de “gerenciar” nada, receber clientes, e MUITO MENOS organizar uma força-tarefa para salvar a Arlequina.

Sobre isso, precisamos conversar mais um pouco. Os cortes romantizaram de modo lamentável o relacionamento entre os dois – digo isso porque podemos ver uns takes abusivos e mais condizentes com a natureza da relação entre eles nas imagens que ficaram de fora, então, estou tentando defender David Ayer aqui, pelo menos sobre esse tópico. Isso é perigoso, porque as crianças e jovens precisam compreender que isso não é saudável. Vender camisetinha de Arlequina e Coringa e uma porção de coraçãozinho – como eu vi VÁRIAS vezes na Binal semana passada – é MUITÍSSIMO errado. Além disso, em que dimensão paralela Ayer estava quando resolveu que o Coringa deveria salvar a Harley? Vamos combinar que ele só faria isso se ela tivesse algo que ele precisasse naquele momento específico. Chega a ser engraçado esse Coringa apaixonado.

Enfim, eu tentei com toda a força do meu ser não gongar muito esse filme, diminuir as expectativas e tentar curtir o momento. Não rolou. Como filme de ação, é bastante aceitável. Como filme do Esquadrão Suicida fica muito aquém do esperado. Uma nota 6 e olhe lá!

Em todo caso, eu recomendo, porque nem de filme 10/10 vive a vida de um nerd, né? Nem todo mundo é Christopher Nolan.

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O que você achou? Curtiu? Odiou? Discorda ou concorda? Deixa sua opinião aqui pra mim! Eu quero muito saber o que você pensa!

Beijo <3 Até a próxima.

 

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