Noturno – Guillermo Del Toro e Chuck Hogan #resenha

Título: Noturno
Autor: Guillermo Del Toro e Chuck Hogan
Ano: 2009
Páginas: 464 páginas
Editora: Rocco

“Cada aspecto mundano da vida fica infinitamente mais precioso em face da morte iminente. Palmer sabia disso intimamente; uma crinaça doentia, ele passara a vida inteira lutando por sua saúde. Em certas manhãs acordara até espantado por ver mais uma aurora. A maioria das pessoas não sabia o que era marcar a existência com um alvorecer de cada vez. Ou o que era depender de máquinas para sobreviver. A boa saúde era um presente recebido ao nascer pela maioria delas, e a vida uma série de dias a serem ultrapassados. Elas não conheciam a proximidade da morte. A intimidade da escuridão final.”

Tudo começa quando um boeing vindo de Berlim pousa em Nova York completamente apagado. As autoridades criam um alvoroço danado e chamam os especialistas do Centro de Controle de Doenças para investigar o motivo pela qual os 206 passageiros estão mortinhos da silva, sem sangue, sem grito, sem cortes ou gás. Apenas sentados placidamente mortinhos da silva sauro.

Aí é quando o Dr. Ephraim Goodweather juntamente com Nora Martinez – outra pesquisadora de sua equipe acabam se reunindo com Abraham Strakian – um sobrevivente do Holocausto e professor de folclore europeu – para saber mais sobre essas mortes e acabam se deparando um um monstrengo bizarro, mistura de zumbi com vampiro, com um treco meio tentáculo meio presa, que sai de uma bocarra deslocada, que cortando qualquer parte do seu corpo te transforma num monstrão também, sedento por sangue humano. E além de descobrir que bichão é esse, eles precisam conseguir conter o contágio e matar o chefão.

“A Coisa era perita em horror, mas aquele horror humano realmente excedia qualquer outro destino possível. Não apenas por não ter piedade, mas por ser exercido racionalmente e sem compulsão. Era uma escolha. A matança não tinha relação com a guerra maior e não servia a qualquer propósito além do mal. Homens escolhiam fazer aquilo com outros homens, inventando razões, lugares e mitos a fim de satisfazer seu desejo de maneira lógica e metódica.”

Leia Mais

Gazeta de Midgard #3

Estamos de volta com o nosso resumo de notícias da semana!

Tivemos um probleminha com nosso computador – bem pequeno o problema, facinho de resolver: queimou a placa mãe em apenas 20 lugares! Como um computador com menos de 4 anos de uso, com cooler externo, conseguiu queimar desse jeito, apenas as forças superiores podem explicar – o fato é que ficamos quase duas semanas sem notebook – entre levar na assistência, descobrir que não tinha ressuscitação possível, comprar outro e esperar a boa vontade da Ponto Frio em entregar – por isso ficamos estas semanas sem vídeos.

E por isso este ficou um pouco maior hehehe.

Mas retornamos com muitas novidades e um vídeo recheado de cinema, séries, tiros de blasters e MEDO!

Adicione nas redes sociais!

It: A Coisa – Stephen King #resenha

Título: It: A Coisa
Autor: Stephen King
Ano da edição: 2014
Ano de publicação: 1986
Páginas: 1104
Editora:  Suma de Letras

Talvez seja por isso que Deus nos fez crianças primeiro e nos colocou mais perto do chão, porque Ele sabe que é preciso cair muito e sangrar muito pra aprender essa simples lição. Você paga pelo que recebe, você é dono daquilo pelo que pagou… e mais cedo ou mais tarde, o que é seu volta pra casa, pra você.

It – A Coisa

O que dizer sobre esse Stephen King que mal conheço mas já considero pacas?

Nunca tinha lido nada de terror ou horror na vida! O mais próximo disso que eu tinha chegado era A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, que não faz nem cócegas. Mas nesse ano eu estava determinada a inovar, sair de dentro da caixa, e desbravar novas leituras. Minha nota:

4 estrelas

Eu nunca gostei muito de palhaço. Sempre achei um personagem muito bizarro para ‘alegrar’ crianças, com aquela cara toda pintada e uma peruca desgrenhada. Pois bem. Depois desse livro, acho que se encontrar com um palhaço na rua, segurando balões eu caio durinha no chão HAHAHAHA tô rindo mas é de nervoso.

A história é muito bem estruturada, e vou dizer uma coisa pra vocês: King escreve MUITO. Detalhadamente mas sem ser maçante, coeso, inteligente e por incrível que pareça, mesmo escrevendo um livro de terror, com personagens sobrenaturais, ele soa extremamente convincente. Tem aquela escrita orgânica e fluida, que prende a gente, e quando a gente percebe, já são 1h30 da manhã e você ainda não largou o livro nem pra fazer xixi.

Nessa nova fase do blog eu não vou me ater muito à sinopse, porque se a gente googlar It: A Coisa, encontram-se milhares de sinopses diferentes, todas elas dizendo a mesma coisa. Vou me concentrar mais em passar pra vocês as minhas impressões sobre o livro.

A história se passa em Derry, no Maine. Parte em 1958 quando os personagens tem 11 anos e ‘enfrentam’ A Coisa pela primeira vez, e parte em 1985 quando os personagens se encontram mais uma vez com o bichão.

Uma criatura sobrenatural vive nos esgotos de Derry, e a cada 27 anos acorda para se alimentar. O problema é que essa Coisa se alimenta de crianças entre 3 e 19 anos, e toma forma do seu pior pesadelo – pode ser um lobisomem, pode ser uma múmia ou um corvo agourento. Ela come crianças porque o medo das crianças é mais fácil de ser personificado.

Essa coisa ia morrer de fome se fosse se materializar na forma da conta de telefone atrasada, imagine só! E nessa forma assustadora, mata a pobre criança de medo, literalmente. A cara mais comum desse bichão é de um palhaço bizarro, com uma roupa prateada com pompons laranjas, uma bocarra manchada de vermelho sangue e olhos sem fundo – e ele está sempre segurando balões coloridos socorro, mããããe!, mais conhecido como Pennywise, o Palhaço Dançarino.

A primeira cena do livro já é assustadoramente sinistra, quando o George Denbrough (o irmãozinho de Bill – um dos personagens principais, líder do Clube dos Otários) é assassinado pela Coisa, e a Coisa COME o braço dele. Gente, é sério! O negócio é brabo, o menininho tem 6 anos!

Bill Denbrough – gago, Mike Hanlon – negro, Beverly Marsh – menina e apanhava do pai, Ben Hanscom – gordo (meu personagem preferido), Stan Uris – judeu, Rich Tozier – usava óculos e Eddie Kaspbrak – asmático e protegido da mamãe – se tornam amigos porque sofriam bullying e eram perseguidos pelo valentão da escola, Henry Bowers, e seus dois asseclas Victor Criss e Arroto Huggins. Eles eram ou rejeitados ou traumatizados ou solitários demais, e por causa desse bullying, fugiam para um terreno baldio cheio de vegetação, beirando o rio, que se chamava Barrens. E foi dessa forma que se conheceram e começaram a brincar juntos.

Beverly, Ben, Eddie, Stan, Mike, Bill e Richie

A Coisa aparece para essas 7 crianças, em diferentes formas, aterroriza-as mas não consegue mata-las. Quando compartilham essas situações assustadoras com os amigos, e todos tendo passado por situações semelhantes aliadas ao fato de que Bill teve seu irmão mais novo assassinado pela própria coisa, decidem formar o Clube dos Otários – destinado a pesquisar sobre o monstro, enfrenta-lo e vencê-lo.

27 anos depois, tendo cada um seguido seu caminho, eles não se lembravam de nada, nem de sua infância, nem de Derry, nem dos outros, nem da Coisa. Mas recebem uma ligação de Mike Hanlon – que era o único que não tinha deixado a cidade – avisando-os que A Coisa tinha voltado e lembrando-os da promessa que eles fizeram quando crianças, de que se voltasse a acontecer, eles retornariam ao Maine e acabariam de vez com o palhação maldito.

E a história se desenrola a partir daí. Capítulos no presente, eles se reencontrando e tentando lembrar da infância, tentando descobrir por que esqueceram de tudo. Capítulos no passado, contando as experiências de vida que os levou àquele ponto, que os aproximou, e aos motivos pelos quais eles eram capazes de matar o palhaço. Capítulos investigativos, visto que Mike Hanlon permaneceu na cidade, não tendo se esquecido de tudo, ficou atento a qualquer sinal da Coisa, se tornou o bibliotecário de Derry, entrevistou várias pessoas sobre eventos sobrenaturais, e estava escrevendo um livro sobre o tema. E capítulos narrados pela consciência da Coisa.

Pennywise

É bem legal a dinâmica da narrativa, a forma como Stephen King vai te dando tão pouco da história para te situar e alguns capítulos a frente retoma aquele ponto, e revela mais um pouquinho, construindo os personagens tijolo por tijolo, deixando que você escolha de que lado ficar, com quem simpatizar e deixando que você assuma determinadas suposições para desmenti-las mais pra frente. Bem legal mesmo. Um mestre! Tenho até um pouco de arrependimento por não ter lido antes.

Mas nem tudo são maravilhas! Houveram alguns pontos em que eu tenho que criticar. Primeiramente, achei o personagem de Richie Tozier muito desnecessário. Ele é o fator engraçadinho da história, aquele amigo que força piada o tempo todo, que a gente não suporta. Tendo em vista um livro com uma temática tão pesada, eu compreendo a necessidade de um alívio cômico, mas o próprio Pennywise cumpre esse papel em muitas situações e a forma como Stephen King trata a obesidade de Ben Hanscom também cumpre. Algumas piadocas poderiam ser atribuídas a qualquer outro integrante do Clube dos Otários, e soaria muito mais natural. Do modo como eu vejo, achei forçado, achei bobo e desnecessário.

spoiler alert

Não é exatamente um spoiler porque a fama dessa cena precede a própria história. Mas tem a FAMOSA cena de sexo entre as crianças – uma orgia infantil, ou quase isso. Todos os meninos transam com a Beverly, no esgoto, depois de ter vencido A Coisa pela primeira vez. A justificativa é de que eles estavam se perdendo, porque tendo A Coisa morrido, eles não tinham mais aquela conexão forte entre si e Eddie – que era o guia do grupo – não estava conseguindo encontrar a saída. Então Beverly sugeriu que transasse com todos eles, pra conexão aumentar e eles conseguissem sair do subsolo/submundo.

Olha, eu achei forçado demais, hein? Entendi como uma necessidade exagerada de chocar o leitor ainda mais, um desespero pra aparecer sem necessidade. E eu desgostei não apenas pelo apelo sexual infantil bobo, mas principalmente porque não havia nenhuma coerência para esse tipo de situação na história. Além do que, o autor passa o livro inteiro frisando que a única chance deles de fazer ‘a magia’ funcionar seria se permanecessem com a mente de crianças, e vamos combinar que transar com seis pessoas diferentes num esgoto fedido não é exatamente o mais recomendado para se manter com a mente infantil, não é mesmo? Sei lá. Achei bem ruim essa passagem.

Onde Comprar

E vocês, já leram? O que acharam? Deixe sua opinião nos comentários, isso é muito importante para mim e para o crescimento do blog!

Quais outros livros de Stephen King vocês recomendam?

Beijo