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O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald | RESENHA

Hoje nós vamos conversar sobre o clássico americano O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald – que relata de maneira sublime e crua os excessos da década de 20, o sonho americano, o jazz e a certeza que a vida é uma festa sem fim.

Nick Caraway se muda pra cidade grande a fim de viver plenamente o sonho americano e enriquecer. E acaba ficando amigo de seu vizinho milionário e misterioso – Jay Gatsby. Depois de muitas noitadas regadas a champanhe e libertinagem, essa amizade acaba se estreitando. E Gatsby aos poucos revela a Nick seus segredos.

O Grande Gatsby estava na minha lista de leitura há uns bons 5 anos, e eu sempre protelava. É uma historia muito clássica, da qual eu conhecia o enredo muito superficialmente e sabia que tinha virado filme com o Leonardo Dicaprio. Fim. Não sabia mais nada. Nem o filme eu tinha assistido. Mas resolvi que esse ano eu ia concluir essa missão.

Logo no começo, eu fiquei maravilhada com a escrita de Fitzgerald. Já tinha lido O Curioso Caso de Benjamin Button mas li em inglês, e como foi o primeiro livro que li em inglês, acho que bastante coisa acabou se perdendo. Mas essa edição de O Grande Gatsby da Leya (a de capa verdinha) foi brilhantemente traduzida. E eu fiquei apaixonada com a escrita, com a narrativa, com a construção dos personagens tão delicada através dos olhos do narrador.

“Gatsby acreditava na luz verde, no futuro orgástico que, ano após ano, recua diante de nós. Iludiu-nos antes, mas não faz mal, amanhã correremos mais velozes, estendendo os braços mais além… E em uma bela manhã… E assim avançamos, barcos contra a corrente, incessantemente impelidos de volta ao passado.”

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o restaurante no fim do universo - bad rain

O Restaurante no Fim do Universo – Douglas Adams | RESENHA

O Restaurante no Fim do Universo é o segundo da “trilogia de cinco livros” de O Guia do Mochileiro das Galáxias. Continua exatamente de onde o O Guia terminou, e conta as aventuras de

  • Arthur Dent – humano, habitante da Terra e agora sem teto, visto que a terra foi destruída pelos vogons para a construção de uma via hiperespacial;
  • Ford Prefect, um mochileiro de Betelgeuse, que ficou na Terra por quinze anos escrevendo para o guia;
  • Zaphod Beeblebrox, o Presidente da Galáxia, o político mais incompetente de que se tem noção (com exceção de nosso michelzinho fora temer, é claro);
  • Trillian Macmillian, a outra terráquea;
  • e Marvin, o andróide paranóide.

Juntos eles descobrem que a Terra é um experimento de laboratório criado por ratos, para descobrir a questão sobre a vida, o universo e tudo mais, visto que já haviam construído um super computador para descobrir a resposta para a questão da vida, o universo e tudo mais: 42.

Mas antes de tudo, precisam parar para comer, e escolhem justamente O Restaurante no Fim do Universo, que fica em um planeta onde você come uma bela refeição enquanto assiste o Universo ser destruído.

“Há uma teoria que diz que se um dia alguém descobrir exatamente qual é o propósito do Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais bizarro e inexplicável. Há uma outra teoria que diz que isso já aconteceu.”

O Restaurante no Fim do Universo

Eu amei o Guia. Sério, do fundo do coração. Achei divertido, bagunçado, animado e completamente maluco. E como boa nerd que sou, o restante da saga estava na minha meta de leitura há um tempão, mas como também sou enrolona, não tinha tido tempo/motivação pra ler, mas resolvi encará-la.

Mas acontece que não curti esse.

o restaurante no fim do universo - bad rain

A narrativa é tão bagunçada, e corrida e sem nenhuma linha coerente, que parecem contos que foram costurados juntos, de maneira até capenga. Eles ficam quicando de um planeta a outro, insultando Arthur Dent o tempo todo sem motivo aparente. Por favor, não odeiem a Sheps aqui! Pode parecer herético para os fãs fervorosos, mas eu já me explico. Leia Mais

A Vista de Castle Rock – Alice Munro #resenha

Título: A Vista de Castle Rock
Autor: Alice Munro
Ano: 2006
Páginas: 352 páginas
Editora: Biblioteca Azul

“Não resistimos a revolver deste modo o passado e peneiramos fatos indignos de crédito, juntamos nomes dispersos a datas e historietas dúbias, agarramo-nos a fios, insistindo em unirmo-nos aos mortos e, como tal, à vida.”

Alice se envolveu em uma pesquisa intensa em sua história familiar, suas origens, seus ascendentes e como sua família abandou a Escócia a fim de reconstruir a vida no Canadá. Como a autora mesmo diz, são contos, são partes de sua pesquisa, de suas memórias e outra parte proporcional de ficção, que ela usa a fim de preencher as lacunas, de ir onde a história não conseguiu chegar.

Eu escolhi esse livro porque Alice Munro ganhou o Nobel de Literatura, e, sendo mulher, isso é um grande feito. Eu morria de curiosidade de ler algo dela, mas comprei A Vista de Castle Rock sem fazer a mínima ideia sobre o que se tratava.

A Vista de Castle Rock

A escrita dela é sublime, incrível. Realmente ela trabalha as palavras de maneira primorosa, parece uma nuvem fofinha de tão confortável – se é vocês me entendem. E embora eu não tivesse curtido muito a trama – já explico o motivo -, entrou na minha pele. Dias depois eu ter terminado, eu fiquei com as vidas dos personagens enroscadas na minha cabeça, nos meus pensamentos.

Eu digo que não curti pelo seguinte: como foi algo mais de pesquisa, de documentário, não tem um plot twist, não tem desfecho, não tem algo pelo qual você segue ansiando. Eu demorei muito tempo pra ler, ficava procrastinando e lia o mesmo parágrafo várias vezes por não conseguir me prender na narrativa. Compreendo que a culpa não é de Alice, é minha por não ter lido a sinopse do livro e por não ter pesquisado antes de escolher.

A diagramação do livro é linda, impecável. A tradução é ótima, não perde nada dos meandros que Alice coloca nas entrelinhas do texto. Muito bonito, muito delicado.

Eu vou dar mais uma chance para Alice Munro, com certeza. Em breve eu escolherei outro título para ler e quem sabe me apaixonar. Esse, eu não consegui amar, mas sou obrigada a reconhecer que ela é incrível, de verdade. Sigo recomendando.

Nota

Esse livro eu escolhi pra ler na MLI 2017, lá atrás e desde que voltamos com o blog, a resenha dele estava escritinha, pronta pra entrar mas eu tinha me esquecido totalmente de clicar no botão de publicar HAHAHAHAH coisas de uma mente ansiosa! Mas antes esquecer de publicar um post que deixar o gás ligado, não é mesmo? 

Espero que vocês tenham gostado! Se você já leu, me conta o que achou. Se não leu, tem interesse em ler? Não se esqueça: sua opinião é muito muito importante pra nós.

Punição para a Inocência – Agatha Christie #resenha

Título: Punição para a Inocência
Autor: Agatha Christie
Ano: 1958
Páginas: 222 páginas
Editora: Círculo doLivro

Rachel Argyle é a matriarca da família, rica e poderosa, controla a vida de todos de maneira sutil mas firme. Depois de uma altercação com seu filho Jacko, ela é encontrada morta e uma grande quantia de dinheiro havia desaparecido.

Jacko é condenado e morre na prisão. Mas dois anos depois, surgem evidências contundentes para inocentar o rapaz. A família entra em pânico: qual deles, portanto, havia matado Rachel Argyle?

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O Evangelho Segundo Jesus Cristo – José Saramago #resenha

Título: O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Autor: José Saramago

352 páginas

Editora: Companhia das Letras

Demorei quase duas semanas pra conseguir escrever essa resenha porque tô ruminando o impacto da escrita de Saramago e tentando lidar com o rumo que ele deu pra história, ao mesmo tempo em que medito a melhor forma de contar isso pra vocês.

A história é a que conhecemos: a vida e a morte de Jesus e as circunstâncias que o rodeiam. Não é à toa que esse livro foi censurado e proibido, e que cause tanta polêmica! Jesus é homem de carne e osso, que foi gerado por Deus para expandir seus domínios.

E numa sociedade religiosa e conservadora como a nossa, essas ideias não são nem nunca foram bem aceitas.

O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Saramago conta essa história com uma maestria que enche de lágrimas os olhos. A escrita tão fluida, tão ácida e ligeiramente transforma uma narrativa tão conhecida. Jesus é meio egoísta, meio covarde e medroso. Maria Madalena é uma companheira valorosa e carinhosa. Deus é muito tirano e sem paciência. O Diabo, por sua vez, é um cara soturno e misterioso, mas muito gente boa.

E Saramago dá um tom diferente pra história, pras motivações dos personagens. A sucessão de fatos é a que conhecemos mas com uma roupa totalmente diferente, sob uma ótica muito mais humana e plausível.

Se fosse escrita por outro autor, com outra narrativa, pareceria uma paródia. Mas esse tal de Saramago consegue fazer com que fique tudo tão palatável e divertido e verossímil que parece mesmo que ele estava lá!

Eu amei o livro e a narrativa, amei a ideia central da coisa – que é humanizar o personagem, e tornar o mito gente como a gente – amei o alívio cômico e a complexidade dos carácteres. A nota é sempre máxima!

Porém, eu tive muita dificuldade pra me conectar com o livro em si. Eu li muito devagar e procrastinei demais, honestamente, nem sei porque já que quando largava o livro, minha mente ficava cheia com a trama. Mas demorei quase 3 semanas pra terminar.

É sensacional, é! Com certeza. Mas não dá aquela sensação de desorientação é aquela ressaca pós O Ensaio sobre a Cegueira, por exemplo.

Nota