Bom Dia!

É som de janela se abrindo
De vento alisando a cara
E solto no infinito
Pra que levar marra na mala?
Na sala livros baldios
O olhar é aquele de antes
Tem horas que o cinza é bonito
Enfeitam os dias pensantes 
Chorar, seja dor, alegria
É água nessa terra escura
Que rega a pele, a alma
Que molha a livrar da secura
Que dura se briga ca sorte
É corte, até mesmo carinho
Deve ser só uma onda forte
Ou mero momento de brilho
Os trilhos que traçam caminhos
As mãos do aceno que partem
Escolhas que fazem destinos
As mais lindas obras de arte
É esse sol que não para
É chama que ferve minha vida
Surpresas, amores, combates
Não vou reclamar de minha sina
Pois ela, sou eu quem lapido 
Esmero, força e poesia
E estes meus erros sinceros
Confesso, me geram agonias
Mas sigo, se caio levanto
Tropeço, corro, caminho
Meus punhos, flechas e canto
Eternos momentos de brilho
O som de janela aberta
De passarinho danado
Rodopiando em festa
Musica, pios e bailado
Sou eu aqui deste lado
Diante do clima que inspira
Respiro fundo e tranquilo
Buscar por amor é minha pira
Eu gosto rimar a vida.

– Jairo Pereira, Alpiste de Gente

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